Respire fundo galera, vocês estão prestes a ler sobre um dos piores jogos de todos os tempos. Se você continuar a partir de agora, irá conhecer o caminho de: Way Of The Warrior (entendeu a piadinha né? Caminho + Way = piada sem graça ). O jogo que enterrou o 3DO de vez no mundo dos videogames. E antes que me pergunte: – Porque você vai falar desse jogo então Ivo? A resposta é fácil. O jogo é tão lixeira que chega a ser engraçado, mas por trás de tudo isso, existe uma história inspiradora pelo criadores do game. Então prepare e venha ler sobre Way Of The Warrior.


Way Of The Warrior (WOTW) foi lançado para o 3DO e abalou os pilares da podridão de jogos no mundos dos games. E alguns já sabem, eu era um proprietário de 3DO e acabei jogando esse game. Para ser mais exato, o game foi lançado em 1995, pela Naughty Dog (acredite se quiser!), isso mesmo, a produtora de clássicos como Last Of Us, Uncharted, e Crash Bandicoot . Então lembre-se, se você um dia lançar um jogo no mercado, faço algo RUIM, mas tão ruim, para nunca mais será esquecido (essa foi tática da Naughty Dog) e com certeza irá fazer sucesso. Você irá perceber isso mais claramente isso no texto abaixo.

 


O Mortal Kombat do 3DO

Em uma época em que Mortal Kombat bombava nos consoles e arcades, com suas capturas de movimentos, personagens, fatalities e fazia alegria dos gamemaniacos. A Naughty Dog estava praticamente falindo. Então dois produtores da empresa chamados: Jason Rubin e Andy Gavin tiveram a brilhante ideia de fazer um jogo igual ao Mortal Kombat, com o seguinte pensamento – “ficarem ricos” e ajudarem Naughty Dog a não falir”. Infelizmente a intenção foi boa, mas eles esqueceram de um pequeno detalhe – “O custo“. A produção de um jogo estilo Mortal Kombat possui um valor alto e ainda mais quando possui questões como: captura de movimentos, telas azuis ao fundo, contratação de dublês em artes marciais, locação de lugares e tudo mais que envolve-se esse tipo de criação. Ao perceberem que não teriam dinheiro para realizar tudo isso, eis que eles tiveram a ideia de fazer tudo no fundo do apartamento deles com os amigos.

Sim, para quem não sabe o jogo foi capturado com uma câmera velha (TECPIX! HAHAHA! É zoera hein! Não é TECPIX!) do Andy e Jason em seu próprio apartamento. E sem dinheiro para dublês, eles chamaram vários amigos para interpretar os personagens. O figurino das roupas são formados por várias itens do apartamento deles, desde a vassouras, fronhas, leques, máscaras ninjas, lixo, mc lanche feliz, cuecas e toda tranqueira que você imagina. O incrível que eles acreditavam que o jogo seria realmente um sucesso (acredite no seu sonho até o fim viu!) e até o próprio Andy participou como personagem no game. Já no final de produção do game, eles perceberam que o jogo não tinha ficado “como esperavam” e principalmente por causa dos personagens, mas isso tudo teve uma reviravolta e improviso que conto para vocês mais abaixo.


E o jogo?

História:

Você encarnará um personagem “feio para diabo” contra 9 outros lutadores “feios para diabo” em 9 lugares do mundo “feios para diabo” no final irá encontra o chefão “feio para diabo” e tentar selar o “livro do diabo”. Acredite a história é só isso mesmo! 

Gráficos:

Tenho que admitir que eles tiveram méritos em fazer a captura dos personagens com uma câmera TECPIX. Alguns movimentos são bizarros como o do ninja que parece que está sentado em uma privada, mas no geral é a grande diversão do jogo é ficar assistindo os movimentos e colocar apelidos neles, por isso eu não vou criticar tanto essa área. Os cenários também tem alguns méritos, mas a coisa fica horrível quando aparece os “zooms” de aproximação (socorro!). Todos os cenários e personagens ficam estourados!

Músicas/Sons:

Para a galera que curte um Metalzão, vai curtir a trilha sonora do jogo. Ela foi feita toda praticamente pela banda White Zombie do Rob Zombie. Eu particularmente não gosto, mas respeito o gosto da galera do Metal. Então essa é uma das poucas partes altas desse game. Já os efeitos sonoros, são terríveis e foram feitos aos moldes do Star Wars (com barbeadores em panelas!) e construídos no próprio apartamento do Andy e Jason. O resultado é praticamente você gravando os sons de socos, chutes e vozes no celular.

Controles:

Você que jogou 3DO já conhece aquele controle de 3 botões né?! Então se já era horrível jogar qualquer game de luta nele, pense isso com um jogo com controles ruins? O único fator bom é quem nunca se familiarizou com videogames ou pelo menos jogou pouco jogos de luta… consegue fazer qualquer coisa apertando os botões que nem um louco. Interessante que se você apertar todos os botões que nem um maluco na hora do “faltality” a possibilidade de sair algo é de 99,9%.

 


Os Personagens:

A melhor parte desse jogo (ou não!) são os personagens, então vamos a eles. PS: Um aviso, todas as histórias seguem “FIELMENTE” minha tradução do manual do jogo.

Konotori – O Ninja sem calçado, manco e sem dinheiro. Quando criança teve que decidir entre comprar seus calçados ou um leque dourado. Ele resolveu comprar seu leque, com isso acabou queimando a sola dos pés quando foi na praia, obrigando a lutar com apenas uma perna para ficar em pé. Seus principais golpes são o “ataque manco-chulé” e o “leque-de-carnaval”.

Ninja – Ninja era um criança feliz e queria ser igual ao Raiden do Mortal Kombat, mas seus pais nunca concordaram com isso. Então o Ninja cresceu frustado, até que um dia resolveu largar tudo e seguir seu sonho em ser um Raiden, mas esqueceu de trocar sua roupa de ninja. Ele possui os golpes iguais do Raiden e inclusive sua comemoração de vitória é um homenagem a ele.

Nobunaga – Nobunaga é um homem honrado que tinha uma escola de Kendo no Brasil, mas devido aos altos impostos brasileiros, ele acabou falindo. Então ele entrou no torneio para conseguir dinheiro e voltar a abrir sua academia. Ele utiliza uma espada e seu maior golpe é o “corta-imposto”.

Major Gaines – Major Ganeis na verdade é um cantor e dançarino, e seu sonho era participar da banda Village People, mas nos testes para entrar na banda ele foi recusado. Depois de várias tentativas para se tornar famoso e conseguir destaque para ser chamado na banda, ele viu o torneio como sua última alternativa. Seus golpes são baseados em poses da banda Village People e o principal golpe é “YMCA”.

Fox -Fox é um ex-empresário da bolsa de valores e fã do filme Matrix e principalmente do personagem Morpheus. Depois de participar de um concurso de cosplay e ficar famoso, ele largou seu trabalho e resolveu ser um “global” e achou no torneio sua grande oportunidade. Seu principais golpe são “neo-matrix” e o famoso “gravatinha-vermelha”.

Shaky Jake – Jake é um gari e fã dos Guns N Roses e do Slash. Seu sonho é comprar um guitarra e sair tocando músicas do Guns N Roses pelo mundo. Entrou no torneio para conseguir dinheiro justamente para comprar sua guitarra. Seus principais golpes são baseados na sua vassoura de gari.

Nikki Chan – Nikki Chan é um fã de animes e mangás e depois de ler e ver muitos deles, percebeu que poderia ser uma heroína. Treinou muito lendo mangás e vendo animes. Agora entrou no torneio e um dia espera que façam um mangá dela. Seus principais golpes são baseado em animes e mangás como Dragon Ball, Naruto e Sailor Moon.

Crimson Glory – Crimson Glory na verdade era uma atriz dos seriados da Disney. Ficou famosa, ganhou muito dinheiro e começou a aprontar na noite e se perder na vida. Depois de um tempo perdeu a fama, dinheiro e principalmente um rumo. Agora ela entra no tornei para provar que ainda pode ficar famosa, rica e novamente se tornar uma “pop-star”. Seus principais golpes são o “Disney Club” , “Hanna Montana Kick”.

Dragon – Dragon é um funkeiro no Brasil. Mas resolveu inovar… ele utiliza suas músicas de funk com um jeito de kung-fu. E para provar que inventou algo inédito, chamado “funk-fu”. Então ele entrou torneio para mostrar seu talento com esse seu novo ritmo. Seus principais golpes são baseados, em deixar o adversário surdo ou tonto de tanto ouvir suas canções.


A História Supreendende de Way Of The Warrior

Tirando as brincadeiras acima, existe uma história surpreendente por trás do Way of The Warrior e talvez uma lição de perseverança. Ao final da conclusão do game Andy e Jason sabendo que o jogo não seria grande coisa e longe de ser um Mortal Kombat, foram ridicularizados por todos. Sabendo disso, eles resolveram usar uma estratégia diferente e começaram a realmente falar para todos que o jogo era bom (mesmo sabendo que era ruim! Não considero isso uma mentira e sim uma estratégia) e compara-lo ao Mortal Kombat. Como eles fizeram isso? Falando que todos os personagens tinham nove fatalities (tinha realmente, mas chutar um personagem e ele cair é um Fatality?), que o jogo era muito mais violento e sanguinário (sim, sai tanto sangue quanto aquele festival de tomates na Espanha) e tinha muito mais personagens e inclusive secretos (um velho de cueca é um personagem secreto nesse game) e distribuindo demos grátis em todos os meios de comunicação gamer.

Com essa estratégia e muito poder da persuasão, eles conseguiram chegar a ninguém menos Mark Cerny que era o chefão da Universal Interactive Studios na época, e conseguiram fazê-lo acreditar nessa lixeira (esses caras devem treinamento com os políticos do Brasil). Depois de muita conversa, eles convenceram a Universal que distribuísse o game pelo mundo e principalmente para plataforma 3DO. Mas Andy e Jason não se contentaram em somente em aceitar a distribuição WOTW pela Universal, eles fizeram um contrato para o lançamento de mais jogos em conjunto com Universal posteriormente ao lançamento WOTW. Eis que surgiu uma luz no fim do túnel para reerguer a Naughy Dog, com esse contrato eles conseguiram mais tempo (para fazer um bom game!) e mais dinheiro para salvar a empresa. No final a ideia não foi fazer sucesso com Way Of The Warrior e sim lançar mais games em conjunto com a Universal. E está foi justamente a maior sacada deles, tanto que o jogo seguinte foi um arrasa quarteirão chamado Crash Bandicoot, que vocês conhecem a história com certeza.


Way Of Warrior é um jogo horrível, com personagens horríveis e muitas outras coisas horríveis, mas e meio a tanta coisa ruim, ensina que mesmo uma ideia ruim, podemos fazê-la virar algo bom. Para quem gosta de “histórias do mundo gamer” e principalmente a galera que anda fazendo games indies no Brasil, devem muito que ler a história desses dois caras que usaram a força de vontade e continuaram sempre acreditando em seus projetos, mesmo que não tenha chegado no resultado esperado.

Então é isso pessoal! Fica aqui essa história.
Grande Abraço. Ivo.