Conseguir falar de “um game consagrado e com mais de 20 anos de sucesso é complicado“. Agora falar de “um remake de um game consagrado e com mais de 20 anos de sucesso é mais complicado ainda“. Falar de RE2 sem nosso lado fã nos dominar é bem difícil. Afinal para nós gamers o ano de 1998 parece ter sido ontem e lá estávamos nós com os dois CDs em nosso querido Playstation 1 em frente TV de “tubão” e passando horas e horas matando zumbis em Raccoon City, falando com os amigos sobre suas curiosidades e lendo revistas com os detonados e dicas sobre o mesmo.

Resident Evil 2 faz parte da vida de milhares gamers no planeta e sua volta em uma versão remake balançou o coração de muitos quando foi noticiado. Comigo foi o mesmo e tive a oportunidade de jogar do começo ao fim esse game e com a promessa que só escreveria um review dele quando tivesse DETONADO… e foi que fiz. Mas antes contei minha história envolvendo Resident Evil 2 (clique aqui para ler!) e depois fiz um sequência de posts como fosse um diário de jogatina (clique aqui para ler!) e finalmente chegou a hora de analisar ele e dar o veredito final. Então bora lá pessoal! Vamos para o review de Resident Evil 2 Remake.

“O Horror”

A premissa da franquia Resident Evil é ser um game “Survival Horror” e isso não pode mudar. Apesar de algumas versões focaram em outras áreas e deixaram alguns games abaixo da média, mas esqueça isso porque o foco aqui é RE2. Na versão playstation 1 o “horror” é um dos pontos altos no game, justamente porque eram poucas opções desse estilo na época e levar sustos, ver sangue pulando na tela, tripas dilaceradas, se sentir claustrofóbico, tenso, imerso naquele clima apocalíptico faziam e fazem da proposta dele. O grande porém dos gamers antigos ou novos era saber se seria possível nesse remake manter todas essas propostas citadas cima. Afinal jogamos tantos jogos de terror desde o lançamento de RE2 de Playstation 1 que a ideia de sentir tudo isso novamente era difícil ou até imaginável. Mas essa dúvida se dissipou rapidamente jogando as primeiras horas iniciais do game. Os diretores focaram imensamente em manter a mesma sensação do original em conjunto com a tecnologia atual. Os cenários são extremamente caprichados, mantendo áreas antigas com o capricho das reformulações do remake. Exemplo: Você sabe que ali é a delegacia de Raccoon City e vai se sentir familiarizado, mas ao mesmo tempo não saberá nada de como agir ali dentro nesse remake (como fosse algo novo!). E esse “não saber agir” vai te levar novamente aos sustos, a claustrofobia, a tensão e tudo mais que a versão de Playstation 1 trazia. E tudo isso fica ainda mais intenso com os efeitos sonoros aprimorados, se você não jogou RE2 Remake com um fone 7.1 – JOGUE! O som dos ventos, dos passos da Clarie ou do Leon, dos zumbis grunhidos, da chuva, das portas, do som ambiente, dos passos do Mr. X e etc te colocam na atmosfera precisa e horripilante do jogo.

“Percebe-se claramente que os produtores não esquecerem de te lembrar o que você sentiu em 1998 e agora vai sentir novamente 2019.”

“O Roteiro”

É galera! Outro tema muito abordado em RE2 Remake era o roteiro. O próprio Shinji Mikami falou em várias entrevistas, sobre a produção de 1998, que era difícil colocar tudo que ele queria no game, devido as limitações de hardware e isso sempre justificou na existência de furos no roteiro. Bom, isso de limitações hoje não existe mais né?! A expectativa era justamente de um roteiro mais robusto, sem furos, mais amplo e que cobrisse mais coisas sobre Raccoon City que a versão de 1998. Mas não foi que aconteceu! E claro que existe uma otimizada no roteiro com uma melhor dramaticidade, diálogos e cia. Mas o problema aqui são campanhas que não se encaixam. Independente da ordem que sejam jogadas o resultado são alguns erros de continuidade e furos dentro do próprio roteiro. Não que isso derrube o jogo, a história ali existe, mas que poderia ser melhor elaborada/polida, poderia sim.

“Não que isso derrube o jogo, a história ali existe, mas que poderia ser melhor elaborada/polida, poderia sim.”

“Jogabilidade” 

Elemento que teve mudanças significativas é a jogabilidade. Na versão do RE2 Playstation 1 de 1998 a câmera era fixa e o que gerava dificuldade em situações como nos combates, onde acontecia a troca repentina câmera e acabava atrapalhando o jogador. Já no remake a visão em terceira pessoa foi implantada, assim como ocorreu no Resident Evil 4,5 e 6, facilitando em muito a exploração dos cenários e principalmente nos combates.


Justamente nos combates que vemos a melhora, usando essa visão em terceira pessoa é mais fácil mirar nos oponentes e principalmente focar os tiros na cabeça, afinal é a melhor forma de matar zumbis e lickers e economizar munição. Além disso tudo existe a implementação de novas armas como: granadas que podem ser arremessadas ou usadas para um ataque corpo a corpo no inimigo. Elas são fundamentais para sobreviver no jogo. Outro elemento melhor implantando que a da versão de Playstation 1 foi a faca, agora ela se desgasta e quebra com o uso contínuo.


Sobre a dificuldade é visível perceber que a versão remake é mais desafiadora. Já na dificuldade normal jogando com o Leon percebemos o quanto é difícil sobreviver no game. Mesmo você tendo agora o sistema de combinação de pólvora o que ajuda a criar novas munições, ainda sim é preciso economizar em tudo, caso deseje sobreviver. Falando em sobreviver, existe agora a possibilidade de fechar determinadas janelas e assim impedir a entrada infinita de monstros a todo momento, que melhora a dinâmica do jogo e acabando com  “respawns” infinitos (alowww Dead Rising!)

Justamente nos combates que vemos a melhora, usando essa visão em terceira pessoa é mais fácil mirar nos oponentes e principalmente focar os tiros na cabeça, afinal é a melhor forma de matar zumbis e lickers e economizar munição.

“Velhos inimigos ou clássicos amigos?”

Eles não poderiam ficar de fora. Os clássicos inimigos (ou amigos!?) estão de volta, mas com uma roupagem nova. É fantástico você rever monstros como o Willian Birkin e sua pavorosa transformação com seu olho gigantesco no ombro, assim como o crocodilo gigante, lickers e tantas outras criaturas que fizeram nossa alegria na versão de Playstation 1… além das novas claro! Tudo ali está muito bem elaborado graficamente. É uma mistura de euforia em revê-los e ficarmos assustados ao percebemos que estão mais aterrorizantes que nunca. E entre os inimigos não podemos esquecer o Mister X, um verdadeiro “stalker” que te persegue você a cada esquina que vá durante o game, fazendo assim você sempre pensar mais rápido e criar novas estratégias para evitar um combate direto contra ele.

“… o Mister X, um verdadeiro “stalker” que te persegue você a cada esquina…”

“Puzzles e mais Puzzles” 

Resident Evil nunca foi só fugir dos monstrengos, afinal existem os “clássicos puzzles” e eles estão de volta nesse remake. É preciso novamente vasculhar a delegacia e demais lugares em busca de códigos, peças, combinações e cia para seguir em frente. Mas desta vez eles estão bem mais simples de resolver, o que torna a dificuldade nesse aspecto bem baixa (se contrapondo a dificuldade dos inimigos e cia!). Apesar de resgatar a essência que consagrou a versão de Playstation 1, os puzzles aqui são simples e em momento algum vão fazer você “queimar a cuca“, o que faz o game perder um pouco o ritmo, mas nada que desmereça ele. Por outro lado, nesse aspecto facilidade, os puzzles de RE2 não dependem de aleatoriedade (tentar um código na tentativa de acerto e erro!), tudo pode ser achado (um código por exemplo) e assim resolver-los de forma concreta, tudo vai depender apenas da sua exploração, o que torna tudo mais saudável.

… os puzzles aqui são simples demais e em momento algum vão fazer você “queimar a cuca”.

Conclusão

RE2 Remake da pequeninos “escorregos” como no roteiro e puzzles, mas nada que tire o mérito do jogo. O game conseguiu balancear o velho com o novo de forma que honre a franquia. O temor das novidades e suas implantações que afligiram os corações dos fãs foi dissipado em questões de minutos ao jogar esse remake. A verdade é que o game é um presente aos fãs da franquia e todos os jogadores. RE2 Remake é a prova que clássicos do passado podem podem viver hoje e no futuro, desde que sejam feitos com carinho  e competência. Tanto que todos nós já estamos esperando um remake de Resident Evil 3, para fechar com chave de ouro o que a Capcom tem feito nesses últimos anos. Alias podemos colocar Resident Evil 2 Remake com um dos indicados de jogo do ano? Comentem aê! Então é isso pessoal! Fica aqui meu review de RE2 Remake e um grande abraço a todos você. Ivo. 

“O temor das novidades e suas implantações que afligiam os corações dos fãs foi dissipado em questões de minutos ao jogar o game.”

P.s – Segue as notas pelos critérios oficialmente conhecidos e estabelecidos mundialmente da Ação Games >.<