E finalmente cheguei ao final do meu diário de bordo de Phantasy Star. Terminei ele faz 1 horinha atrás e vim correndo escrever aqui. Problema de você comentar ou conversar sobre um jogo de 1987 é que 99,9% das pessoas vão julgar ele com gráficos ultrapassados, mecânicas velhas, negativismo absoluto e cia.  Elas desconhecem uma palavra que se chama “anacronismo“. Anacronismo é a ideia de você analisar algo, mas não se  colocando na época que ele aconteceu e sim na atual. 

Phantasy Star é um game com viagens espaciais, monstros mitológicos, efeitos 3D em labirintos, um enredo fantástico, surpresas no decorrer do jogo, exploração em praticamente um mundo aberto, uma mulher protagonista, várias referências da cultura geek (como Star Wars), vilões dos mais diversos, tradução em português, músicas marcantes e muito… mas MUITO desafio. Agora se coloca em 1987 onde tinha benditos jogos com 1,2 ou 4 megas no máximo? E você ter tudo isso citado acima nas suas mãos! É simplesmente fantástico!

Eu me envolvi muito jogando esse game. Procurei sobre sua produção, seu legado, seus sucessores, sua base de fãs, sua arte, seus produtores (que time fantástico! Só o criador do Sonic, Alex Kidd, Reiko Kodama e cia), artbooks com ilustrações, curiosidades, cds de música e tudo mais. Eu realmente fui a fundo sobre o jogo. E digo que é como começasse uma jornada cheia de energia e ao longo do jogo o cansaço fosse batendo… mas não um cansaço RUIM, mas sim algo como tivesse com os personagens dia após dia lutando, enfrentando labirintos, decifrando enigmas, encontrando mundos repletos de monstros e seguindo a jornada até o final.

E foi assim que cheguei ao fim do jogo. Tanto que quando terminei ele e senti um alívio como tivesse realmente livrado Algol das garras dos mal. Phantasy Star é um jogo absurdamente difícil… desculpe Battletoads, mas Phantasy Star é muito mais difícil que você. O jogo não te dá quase referência nenhuma de onde seguir e o que fazer e os labirintos que você encontra são infernais. Se você seguir o jogo sem guia é praticamente impossível chegar ao fim. E o Lassic? Mesmo com nível lá em cima o safado te espanca sem dó! Parece até que o jogo tem inteligência artificial. Ele esquivava de todos meus golpes quase quando estava morrendo.

Entenda bem! Tem labirintos com 2 andares para baixo e 2 andares para cima. Armadilhas que por mais que você esteja desenhando direitinho em um caderno te levam para andares inferiores com novos labirintos completamente novos. E os labirintos são infestados de monstros de todos os tipos. Ah! E não para por aê! Tem baús com armadilhas, portas escondidas. Ahhh Ivo, mas que jogo horrível nem quero jogar! Aê que está! O jogo não é horrível… ele tem uma magia faz você estar lá enfrentando TUDO e quando percebe já está imerso nesse mundo.

Claro que jogar PURO (sem guia!) é complicadíssimo para nós adultos hoje. Filho, trabalho, falta de tempo, contas e cia te impedem de jogar assim… mas quando você criança e tem todo tempo do mundo isso difere, mas mesmo assim era difícil.

Como as crianças da época agiam em um jogo de tamanha dificuldade assim?! Fiquei bom tempo pensando resposta… e ela me veio. E era justamente um das coisas que mais AMAVA jogando games no passado e falta atualmente  – A troca de informações jogando games JUNTOS.

 

 

Não existia guia, revista, internet, youtube… NADA! Era tudo na base da troca de informações com amigos, conhecidos, familiares e todo mundo que estava jogando o game. Criando uma “comunidade ativa em um jogo” ou um grupo de amigos no mesmo jogo.

Como era bom você desvendar algo e compartilhar com um amigo, que também de trazia uma descoberta e que compartilhou com outro lá no intervalo do colégio e tantos outros lugares e assim gente ia criando uma rede de informações e íamos desvendando os mistérios do jogo e avançando. Como isso era bom! E essa é a intenção do jogo no final de contas… você se envolver nesse mundo e compartilhar ele no seu mundo!

 

Aliás, eu só tenho que agradecer ao meu amigo Igor que me incentivou a jogar esse game e ficamos muito tempo conversando sobre esse jogo em todos os aspectos. A última vez que fiz isso foi em Donkey Kong Country em 1994 e me lembro bem. Obrigado Igor!

Eu tenho dois pesares com Phantasy Star e o primeiro é não ter jogado esse jogo antes. Eu me pergunto onde estava ou que estava jogando na época para deixar esse jogo passar batido. Talvez eu estivesse envolvido com jogos de plataforma que é minha paixão até hoje ou talvez me faltasse contato mesmo.

Meu segundo pesar é gostaria de ter aproveitado ainda mais esse jogo sabe. Infelizmente a correria absurda da minha vida atual não me deixou fazer assim. Mas num futuro distante e pretendo revisitar esse jogo, mas de qualquer forma me sinto satisfeitíssimo. Hoje posso dizer que joguei Phantasy Star e nas mais sinceras palavras digo – que é um dos jogos mais épicos que joguei na minha vida. Não é entusiasmo, não é nostalgia, não é “pagação de pau” é a verdade sobre um jogo épico. E fiquei muito, mas muito feliz em joga-lo.


E agora segue meu último diário de bordo desse game. 

Diário de Bordo – Final


  • Agora cheguei na entrada de Baya Malay. Ela é cidade onde fica o castelo de Lassic em Palma. E só tenho que dizer uma coisa que jamais pensei em dizer…. senti saudade de Dezoris. Se Dezoris era terrível… Baya Malay + Castelo de Lassic são piores. 


  • A entrada já é um labirinto que tenho que atravessar, para depois chegar em uma caverna que é mais um labirinto e saindo da caverna encontro um rio de larva para depois finalmente chegar a entrada da Torre de Baya Malay que vai me levar ao Castelo de Lassic. E essa torre é o labirinto mais difícil do jogo… saca só o mapa dela, logo abaixo.


  • A verdade que na torre não é só seguir e sair no castelo de Lassic. Você tem que encontrar dois itens para aê sim poder chegar ao castelo. O primeiro é o Cristal que está com um cara chamado Damor. Ao usar esse cristal você vai fazer aparecer o castelo de Lassic que está escondido no céu. E o segundo item é a Chave Mestra para o portão do castelo. Agora tudo isso em um lugar que qualquer erro te deixa perdido, te leva para monstros e mais monstros e por fim a morte. Eu demorei MUITO para conseguir passar esse labirinto. Mas finalmente depois de muito suar a cueca… fiz o castelo de Lassic aparecer.


  • E finalmente cheguei ao castelo de Lassic. Um local onde o bonitão vive nas farturas dos pobres e inocentes. Tem uns moradores lá com ele desfrutando da boa vida. Deveria detonar todos, mas meus heróis são bonzinhos e deixar eles de lado.  A parada era detonar Lassic.


  • E claro que na mansão dele tinha mais um labirinto e por um fim uma porta escondida que encontrei na sorte.
    E entrando lá estava o ditador safado. Porradaaa nele!


  • Perdi duas vezes para ele. O Lassic é SUPER APELÃO! Tive que criar uma estratégia para derrota-lo, afinal ele solta 4 raios de uma vez só em todos os meus heróis. Mas com a estratégia de Alis na porrada, Myau no suporte, Odin na porrada e Noah na magia de fogo… finalmente detonei o tirano. Pura alegria e satisfação! 


  • E lá estava eu comemorando minha vitória e voltando para casa para encontrar o governador e dar as boas notícias… quando uma surpresa me pega de jeito. Na casa do governador o verdadeiro vilão estava a minha espera.


  • Este é Dark Falz o verdadeiro vilão do jogo e o que estava por trás de tudo e tinha dominado na mente de Lassic e dados os poderes sombrios para ele. Ele é um verdadeiro apelão dando umas baforadas de raios seguidos e nenhuma barreira de mágica minha consegue defender esse ataque. O jeito foi ir na raça de detona-lo… e por incrível que pareça meus heróis não deram oportunidade para ele e derrotaram de primeira.


  • E finalmente galera… o mal foi derrotado de vez em Algol.


  • Foi uma jornada e tanto. Feliz! Muito feliz por ter fechado esse jogo. Essa última mensagem simboliza a minha ideia do jogo. Um jogo que vai permanecer no meu coração para sempre. Viva em paz Algol.


E aqui fecho meu Diário de Bordo de Phantasy Star.
Obrigado a você que leu até aqui.
Abração. Ivo. 


Minha jogatina final desse diário de bordo.