Cheats, dicas, códigos, macetes, trapaças
etc. Não importa como você os chamava, em algum momento da sua vida gamer você os utilizou. E havia um acessório só para criá-los, você se lembra? Primeiramente, o que eram esses “códigos“? Eles nada mais eram que sequências escondidas dentro de alguns jogos (feitas pelos criadores do game), que ao serem feitas corretamente pelo jogador em uma determinada tela ou momento do game, habilitavam diversas “trapaças” que podiam proporcionar vidas infinitas, seleção de fases, continues, personagens secretos, mais dinheiro, invencibilidade e uma infinidade de coisas.


A VERDADE

A verdade é que na época de ouro do Nes, Master System, Snes e Mega Drive, as revistas especializadas nos entupiam de páginas com esses códigos. Quem se lembra do código da “Capcom” para jogar Street Fighter 2 com RYU vs RYU e escolher cores de roupas diferentes? ( ↓ R ↑ L Y B X A ). E o famoso “Konami Code“? Que fazia você ter 30 vidas no Contra e que apareceu em tantos outros jogos? ( ↑ ↑ ↓ ↓ ← → ← → B A ). Mas e aqueles jogos que não tinham códigos? E se quiséssemos outros, além daqueles que existiam? Como, por exemplo, o pulo do Mario mais alto? Ficar invencível em Ninja Gaiden ou Battletoads? Como faríamos se eles não existiam? Eis que em 1990 surge um acessório que nos ajudaria a resolver isso e iria revolucionar a jogatina e a imaginação dos gamers: o GAME GENIE.


A CRIAÇÃO DO GAME GENIE

O Game Genie foi criado pela empresa Britânica chamada CodeMasters e vendida para distribuição nos EUA pela Galoop Toys e no Canadá pela Camerica. Ele nada mais era que um acessório que, acoplado ao cartucho, possibilitava a inserção de códigos que modificavam temporariamente a ROM do game, alterações como vidas infinitas, tempo infinito, invencibilidade e muito mais.

Uns dos mais famosos códigos utilizados, era o que possibilitava jogar com os chefões de Street Fighter 2 (mesmo com vários bugs!) e o que tornava possível colocar sangue na versão de Mortal Kombat 1 de Snes, no qual isso não existia, ao contrário da versão de Mega Drive.

A primeira versão do acessório saiu para NES e logo depois foi desenvolvido para Super NES, Game Boy, Mega Drive e Game Gear (cada um só funciona em seu determinado aparelho). Mas o que poucos sabem é que no lançamento do Game Genie para NES nos EUA, uma batalha judicial clássica iria abalar os pilares do mundo dos videogames.

Perto do lançamento do Game Genie, em meados de Abril e Maio de 1990, a Nintendo entrou com uma ação judicial no Tribunal de Justiça dos EUA afirmando que o acessório violava os direitos autorais de seu jogos e console. De imediato a Galoop apresentou outra liminar, também junto ao Tribunal em busca da anulação do pedido da Nintendo, afirmando que o acessório não violava qualquer produto dela. Em Julho do mesmo ano o Tribunal aceitou a liminar da Nintendo temporariamente, impedindo a Galoop de vender o Game Genie nos EUA, pelo menos até o julgamento final que sequer tinha data marcada.

O fato curioso é que durante esse tempo em que a liminar da Nintendo foi aceita, o Game Genie era comercializado normalmente no Canadá (país vizinho dos EUA) pela Camerica, onde a Nintendo não se importava (ou fingia que não sabia!) que o acessório fosse vendido. Os gamers ávidos dos EUA queriam ter o acessório, não queriam esperar até decisão judicial final para saber se realmente iriam poder comprá-lo ou não. Com isso os americanos começaram a importar o produto diretamente do Canadá, conseguindo assim obter o acessório facilmente. Sabendo disso a Galoop fez anúncios do Game Genie nas revistas especializadas com a seguinte frase: “Obrigado, Canadá!“, em uma provocação clara contra a liminar da Nintendo, que impedia a venda do acessório nos EUA.

A batalha judicial se estendeu até Julho de 1991, quando o Tribunal dos EUA concluiu a decisão em favor da Galoop, declarando que o acessório não violava os direitos autorais da Nintendo. Em sua decisão, a juíza Fern M. Smith comparou o uso do Game Genie como ao de “ler um livro pulando algumas partes” ou de “avançar um filme e ver somente suas cenas preferidas”. Portanto, o conteúdo não era alterado e não constituía um produto derivado (pirata) que feria os direitos autorais da Nintendo, como ela admitia. A Juíza assim descreveu: “Tendo pago pelo produto da Nintendo o consumidor pode utilizá-lo a fim de criar novas variações de jogá-lo, somente para diversão pessoal, o que não cria uma obra derivada.”


E NO BRASIL?

Já no Brasil o Game Genie foi lançado para NES pela CCE e a versão de Mega Drive foi lançada pela TecToy, e em ambas vinha um super livro com centenas de códigos. E sem problema judiciais, claro.A primeira informação sobre o acessório no Brasil foi na edição nº 05 da revista Ação Games em 1991. Nela eram descritas todas as informações do que era o acessório, que iria ser vendido pela CCE, quando seria vendido, como funcionava e o que seria possível fazer em jogos como Mario Bros 3, Megaman 2, Top Gun e outros.

O Game Genie fez a alegria de muitos gamers da época, possibilitando a inserção de códigos e aumentando a diversão. Se tornou uma lenda entre os gamers da época e ainda deixou um legado muito legal, que pudemos ver claramente nos emuladores que suportam os seus códigos e que são encontrados facilmente em vários sites e também em outros acessórios parecidos como Game Shark e Action Replay lançados para Playstation.

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